Terra Magazine: Controle militar dificulta solução da crise aérea
30/3/2007, 15:53
Da revista Terra Magazine, em 11 de dezembro de 2006:
A convicção, não só entre militares, de que os controladores de vôo brasileiros devem obedecer a ordens marciais de trabalho e não têm direito a serem ouvidos, muito menos de verem as suas reivindicações atendidas, pode adiar desnecessariamente a solução da crise do setor aéreo deflagrada pelo acidente com um avião da Gol em setembro, que resultou na morte de 154 pessoas. Rebeliões, greves brancas e operações-padrão, como têm ocorrido no Brasil, são comuns em diversos países. Entretanto, aqui são tidas como “traição e baderna” (conforme a revista CartaCapital de 13 de dezembro de 2006) pelos militares responsáveis pelo setor. Assim, um trabalho que é crucial e extremamente delicado é tratado como uma marcha para a guerra, sem espaço para recuos nem discussões, sob pena de prisão, rebaixamento ou expulsão.
(…)
Controladores de vôo dos Estados Unidos realizam greves há mais de trinta anos. Os primeiros protestos, em 1969 e 1970, assumiam a forma de afastamentos em massa para tratamento de saúde, uma forma de burlar a rígida legislação de 1955 contra greves no setor público, que punia os participantes com um ano de cadeia. A greve mais famosa foi a de 1981, com a adesão de 13 mil dos 17,5 mil filiados à associação Professional Air Traffic Controllers Organization (PATCO). Os controladores pleiteavam US$ 10 mil adicionais aos salários, que variavam de US$ 20,5 mil a US$ 49 mil dólares anuais; redução da semana de trabalho, de 40 horas para 32 horas semanais e aposentadoria integral com 20 anos de serviço.
Leia: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1293237-EI6609,00.html
Seção: Artigos
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