As companhias aéreas estimam que o prejuízo com a crise aérea dos últimos seis meses já ultrapassou R$ 100 milhões e cobram do governo indenização. “Essa brincadeira já ficou cara demais. A inércia do governo nesse episódio já ultrapassou o limite”, disse o presidente do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias), José Márcio Monsão Mollo.
A situação deverá retornar à normalidade nos aeroportos do país até, no máximo, as 22h da segunda-feira (2), avaliou o presidente da Infraero, José Carlos Pereira. “Acredito que toda a malha já deve estar recomposta amanhã por volta de 21h, 22h. Acho que o país está normalizado”, informou. Neste domingo, até as 18h20, um em cada cinco vôos tiveram atrasos superiores a uma hora. Belém, Brasília, Salvador e Guarulhos (São Paulo) foram os aeroportos com mais vôos atrasados.
Segundo o presidente da Infraero, a situação que se desenhou na última sexta-feira, com a paralisação dos vôos em todo o país, devido à greve dos controladores de tráfego aéreo, foi “gravíssima”. “Eu estava acompanhando de perto e posso dizer que o país inteiro entrou em colapso. A medida tomada pelo governo [negociação com os controladores] foi foi emergencial. Aquela medida de última instância. Desdobramentos podem ocorrer. Mas tudo pode ser controlado”, disse ele.
Depois de muitos atrasos, cancelamentos de vôos e confusão nos aeroportos desde a sexta-feira, devido à greve dos controladores de vôo, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) registrou no final da tarde deste domingo atrasos em 20,4% dos vôos previstos. Pela manhã os atrasos chegaram a 26,5%, passando para 22% no início da tarde.
De acordo com boletim divulgado às 18h30, dos 1.127 vôos realizados em todo o País até o momento, 18 foram cancelados, representando 1,6% do total, e 230 sofreram atrasos de mais de uma hora.
O advogado da Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo, Normando Cavalcanti Junior, disse que haverá problemas se o governo voltar atrás no acordo estabelecido na reunião de ontem (30) com representantes da categoria.
Brasília - O Aeroporto Juscelino Kubitschek teve movimento intenso na manhã deste domingo, mas as filas eram menores que no dia anterior, quando houve caos em todo o país por causa da greve dos controladores de vôo. A passageira Luciene Cerenza, que deveria ter embarcado no sábado para Manaus, aguarda para finalmente fazer o ckeck in e faz o seu protesto Foto: Antônio Cruz/ABr
A LENTIDÃO e a displicência do governo Lula perante a crise aérea terminaram por levá-la a um patamar inaudito. O motim que paralisou todos os aeroportos brasileiros na sexta, em atitude de aberta insubordinação militar, é a conseqüência da condução sindical empreendida pelo presidente da República desde o início do transtorno endêmico na aviação, há seis meses.
Enquanto Lula seguia no seu confortável Airbus para Washington, os saguões dos aeroportos do país se apinhavam de gente, mais uma vez. Controladores militares simplesmente cruzaram os braços -são impedidos por lei de fazê-lo- e iniciaram uma greve de fome. “Reivindicavam” uma gratificação salarial e a suspensão dos remanejamentos de líderes da rebelião.