Apesar de ainda não ter sido instituída por Medida Provisória, a desmilitarização do setor de aviação já está sendo aplicada no Nordeste do Brasil. Hoje, os controladores do Cindacta 3, que cuida da segurança de vôo da Bahia ao Ceará, tiveram que trabalhar sob um regime especial, com restrições que vão desde uniforme até a utilização de um “sanitário exclusivo”. Em página na Internet, controladores criticam as atitudes do comando e reclamam da falta de aplicações do governo no setor. Até o início da última semana apenas 15,5% do orçamento deste ano previsto para o principal programa de governo relacionado ao controle do tráfego aéreo haviam sido gastos.
As novas regras foram comunicadas ontem pelo comandante do Cindacta 3, José Alves Candez Neto, aos cerca de 100 controladores que atuam no centro, cuja sede está em Recife. De acordo com a determinação, mesmo ainda sendo oficialmente militares, a partir de hoje os controladores não podem mais exercer suas atividades com a roupa oficial. Terão que escolher entre trajes civis ou o chamado sétimo uniforme (de passeio azul), para se diferenciar dos demais militares não controladores, que utilizarão o traje camuflado (décimo uniforme).
Em site de relacionamento na Internet controladores de vôos manifestam indignação diante da atitude tomada no Cindacta 3. “Toda a unidade está utilizando o camuflado e somente nós CTA´s (Controladores de Tráfego Aéreo), utilizamos o sétimo! Ficamos visivelmente destacados dos demais! Qual seria o real motivo dessa atitude?”, questiona um dos controladores. De acordo com notícia veiculada no Jornal do Comércio de Recife (Blog de Jamildo), não se sabe ainda se a retaliação do comando do Cindacta 3 é uma decisão unilateral ou se faz parte de uma ação maior, de toda a Aeronáutica, em uma resposta indireta ao governo Lula.
Enquanto a crise na aviação causa lentidão nos aeroportos, em termos de execução orçamentária, a situação não é muito diferente. Dos R$ 549,8 milhões autorizados em orçamento para o programa de Proteção ao Vôo e Segurança do Tráfego Aéreo, o principal ligado ao setor, até o dia 26 apenas R$ 85,5 milhões haviam sido pagos. Isso considerando o pagamento de dívidas referentes às ações executadas em anos anteriores, mas que ainda não haviam sido quitadas. Levando em conta apenas as ações específicas de 2007, míseros R$ 6,9 milhões foram desembolsados, o que corresponde a 1,26% das previsões de gasto para o ano. clique aqui para ver tabela.
Outras rubricas orçamentárias relacionadas ao setor também vem apresentando baixa execução, apesar da situação caótica que se instalou no país. O programa de Desenvolvimento da Aviação Civil, também do Ministério da Defesa, só aplicou R$ 18, 5 milhões, ou seja 13,1% do total de recursos previstos para 2007 (R$ 141,2 milhões). A situação das ações que visam o desenvolvimento da infra-estrutura aeroportuária é ainda pior. Dos R$ 308,8 milhões autorizados no orçamento de 2007, apenas 10,4% já foram realmente utilizados em favor de melhorias nos aeroportos brasileiros. Enquanto isso, a disponibilidade dos Fundos Aeronáutico e Aeroviário não pára de crescer. Atualmente, os dois fundos já acumulam juntos mais de R$ 2 bilhões, que dentre outras coisas, deveriam servir para a melhoria do sistema aéreo no Brasil. clique aqui para ver tabela.