Arquivo de 07/4/2007

Sem CPI, oposição leva crise à Comissão de Defesa

Do blog do jornalista Josias de Souza:

Enquanto o STF não julga o mandado de segurança que pede a instalação da CPI do caos Aéreo, a oposição planeja transformar a Comissão de Defesa Nacional da Câmara em palco de debate sobre a crise que tumultua os aeroportos brasileiros. Os primeiros efeitos da estratégia serão sentidos na próxima quarta-feira (11).

Leia: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/#2007_04-07_02_02_48-10045644-0

5 comentário 07/4/2007, 12:24 apagaoaereo.com.br

Crise nos aeroportos e a Constituição

De Walter Ceneviva, na Folha de S. Paulo:

Acusar somente os controladores é repetir o jargão da prepotência, com a corda arrebentando para o lado do mais fraco -o que não constitui novidade-, mas é inadmissível quando o presidente tem a história de Luiz Inácio Lula da Silva. Se esse tipo de atitude continuar, os episódios lamentáveis desta semana retornarão de tempos em tempos, num serviço que, no Brasil, sempre foi muito bem realizado e cumprido.

Leia: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0704200706.htm

4 comentário 07/4/2007, 12:10 apagaoaereo.com.br

Crise trouxe os militares de volta ao palco político

Entrevista com o cientista político Leôncio Martins Rodrigues, na Folha de S. Paulo:

FOLHA - O senhor vê algum paralelo entre a atuação do governo Lula nesta crise e a gestão de João Goulart, em 1964, com os marinheiros? Há algum paralelo nesta crise com outras que o Brasil já viveu?
LEÔNCIO MARTINS RODRIGUES - Algumas semelhanças superficiais sempre existem. De outro modo, a pergunta nem apareceria. As semelhanças estão na quebra da hierarquia, na existência de presidentes indecisos entre punir e premiar, na tolerância inicial com o movimento dos sargentos e no reaparecimento do poder militar na política brasileira. Mas a dimensão dos atos de rebeldia dos sargentos e fuzileiros navais na época de Jango não tem comparação com a “crise” atual, que não chega exatamente a ser acontecimento que abale os alicerces da República. A rebelião dos marinheiros, na época de Jango, se conectava com outras forças políticas da sociedade brasileira dividida entre dois projetos políticos antagônicos.
Era uma situação que prenunciava a guerra civil. Nada disso existe hoje. Lula, os petistas e os ex-sindicalistas que chegaram ao poder podem ter aspirações continuístas, mas não têm um projeto revolucionário.

FOLHA - As Forças Armadas têm um histórico de atuação política no Brasil. Com a redemocratização, se voltaram aos assuntos internos. Este episódio mostra que ainda têm peso na política brasileira?
LEÔNCIO - O Brasil e outros países latino-americanos, como sabemos, têm uma longa tradição de cultura autoritária e de intervencionismo dos militares na política. No momento, seria possível alinhar tanto argumentos para dizer que chegamos a um ponto em que está encerrada a era das intervenções militares na política nacional como para dizer que essa eventualidade não aparecerá mais no horizonte. Em começos da década de 1990, o cientista político Samuel Huntington escreveu um livro denominado “A Terceira Onda”. A tese era de que o mundo ocidental (no sentido amplo) entrava numa terceira onda democrática, com o fim do franquismo, do salazarismo, das ditaduras comunistas européias e dos regimes militares latino-americano. Hoje, com o reaparecimento de um populismo de tipo autoritário na América Latina, a crença na consolidação dos regimes democráticos nessa região está abalada. É certo que, agora, se trata de um tipo de autoritarismo “civil”, populista de “esquerda”, que não se assemelha aos regimes autoritários instalados na década de 1960 quando as Forças Armadas, como instituição, assumiram o poder. Ocorre que, apesar das diferenças, todo enfraquecimento do regime democrático representativo, por maior que sejam suas deficiências, traz para a arena política a instituição militar. Acabamos de ver um exemplo nessa recente crise: o presidente Lula simplesmente capitulou ante a pressão da Aeronáutica, legitimada pelo apoio das outras armas. Esse talvez seja o efeito mais negativo da incompetência governamental no trato do problema dos aeroportos. No final, trouxe os militares para a política.

FOLHA - O senhor acha que as Forças Armadas se consideram as fiadoras da democracia brasileira?
LEÔNCIO - No momento, parecem que estão mortas as elaborações ideológicas que desembocavam na tese da fraqueza da sociedade civil e na idéia das Forças Armadas como fiadoras da ordem e portadoras de um projeto de desenvolvimento que os políticos não seriam capazes de promover. Mas se movimentos “de massas” que correm por fora dos canais institucionais se avolumarem e o desprestígio da classe política continuar, a hipótese de um ressurgimento do poder militar não pode ser jogada na lata de lixo da História. Como isso pode acontecer exatamente não se pode prever. Mas sabemos que, sempre, entre a liberdade e a ordem, essa última acaba por prevalecer. Muitos exemplos mostram que as sociedades podem sobreviver sem liberdade, mas não sem ordem.

FOLHA - Uma das constantes na história brasileira foi a conciliação. Uma das poucas instituições a negar a conciliação, à exceção da redemocratização, foram as Forças Armadas. O sindicalismo é conciliador?
LEÔNCIO - A idéia da reconciliação na nossa história é algo que necessita de uma definição mais precisa. Na ditadura do Estado Novo de Getúlio, os opositores foram para a cadeia ou para o exílio. O mesmo aconteceu durante os regimes militares que sucederam à queda de João Goulart. É certo que, em 1980, houve a anistia. Mas isso aconteceu em todos os países latino-americanos, quer dizer, não é uma singularidade nossa. Quanto ao sindicalismo, eu concordaria que o sindicalismo, em toda parte, não é revolucionário, o que não quer dizer que seja conciliador. No nosso caso, entendo que o sindicalismo é, antes de tudo, prudente. Tem baixo poder de fogo, vive das verbas obtidas compulsoriamente graças ao modelo corporativo e busca ampliar sua influência e renda por vias burocráticas, por meio de alianças com parcelas da classe política e outras instâncias do poder. Por outro lado, as Forças Armadas freqüentemente sabem ser conciliadoras. A “reabertura política” de 1980 é um exemplo.

FOLHA - Qual a dimensão desta crise institucional? É possível prever mais conflitos entre governo e militares?
LEÔNCIO - Entendo que se trata de uma crise de pequena dimensão. O presidente Lula abandonou os controladores, cedeu à alta oficialidade da Aeronáutica, postergou a “desmilitarização”. No final, demonstrou claramente que ficou do lado da “ordem”. É possível, contudo, que novos problemas apareçam mas dificilmente eles oporão o presidente às Forças Armadas. Pelo contrário. Devemos esperar novos mimos presidenciais ao poder militar porque Lula sabe avaliar perfeitamente e com muito pragmatismo a relação de forças. Aguardemos para ver quem substituirá o ministro Waldir Pires.

FOLHA - Por que o governo tende a ficar parado em situações de crise?
LEÔNCIO - Um dos fatores que emperra o governo é o grande número de ministérios dividido entre muitos partidos e concedidos por razões políticas. A rotatividade na ocupação dos ministérios é elevada. Os indicados ocupam postos para os quais não se sabe exatamente a qualificação. Há também um número elevado de conselhos, comissões e outros órgãos que, para funcionar adeqüadamente, necessitam da presença de ministros e/ou seus representantes que nem sempre têm vagas em suas agendas. Sem subestimar as dificuldades de conduzir adeqüadamente a máquina burocrática brasileira, há o fato salientado por todos: o presidente, mais do que administrar, prefere viajar, sentir o “cheiro do povo”, ir para o palanque, inaugurar obras e tudo o mais que aumente seu cacife eleitoral.

FOLHA - O governo colocou o ministro do Trabalho e, depois, do Planejamento (ambos egressos do sindicalismo) para negociar com os sargentos militares. É correto dizer que o governo usou uma lógica sindicalista nesta negociação?
LEÔNCIO - A idéia de o presidente ter atuado como sindicalista encontra base no passado de Lula. Mas convém salientar que, no caso dos controladores, o presidente estaria mais próximo do papel de patrão negociando com seus empregados. Minha impressão é de que o presidente Lula agiu mais como político. Do sindicalismo, Lula está afastado há mais de 20 anos. Ademais, a atividade política nas democracias é também uma permanente negociação, conchavos, acordos, ameaças e concessões. Julgo que Lula indicou ministros ex-sindicalistas para negociar porque achou que eles seriam mais competentes do que os militares na missão de pôr fim ao movimento, fazendo concessões que os oficiais da Aeronáutica dificilmente fariam. No caso da negociação conduzida pelo ministro Paulo Bernardo, do ponto de vista imediato, as concessões aos grevistas permitiram pôr fim à greve, mas não levaram em conta as reações dos militares e as conseqüências político-institucionais do atropelo das normas e valores que regem as Forças Armadas. O resultado é que o presidente Lula teve que voltar atrás logo em seguida.

FOLHA - Como o sr. avalia a atuação do presidente Lula no episódio?
LEÔNCIO - O presidente, altos membros de seu ministério e o próprio ministro da Aeronáutica saíram mais do que chamuscados do episódio. Recapitulemos: inicialmente, o presidente, a bordo da aeronave presidencial, manda um ministro importante de seu governo negociar com os controladores, fazer promessas, ceder e prometer muito mais do que poderia, inclusive de que não haveria punições. No final, o presidente conseguiu descontentar a todos e reforçar a impressão de que, além de mau administrador, não é um interlocutor confiável. Mas é preciso reconhecer que -circunscrevendo a avaliação da atuação do presidente apenas à situação de pandemônio instalada nos aeroportos- o presidente tinha que agir rápido, de longe e com “a faca no pescoço”, para plagiar o ministro Paulo Bernardo. O grande erro foi deixar a situação dos aeroportos chegar aonde chegou. Além disso, de algum modo, o governo passava aos controladores de vôo a crença de que, pressionado, o governo cederia.

Leia: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0704200706.htm

6 comentário 07/4/2007, 12:08 apagaoaereo.com.br

Que país é esse?

De Fernando Gabeira, na Folha de S. Paulo:

DE NOVO, os tempos duros.

Vergonha de ser deputado, voltar para casa e constatar que nada fez de útil. O governo conseguiu manter o debate em limites estreitos: contra ou favor da CPI.

O problema real permanece intocado. Como dotar o Brasil de um sistema aéreo seguro e pontual, à altura dos melhores do mundo. A idéia de que tudo voltará à calma com a repressão aos controladores não se sustenta.

Concordo com o princípio de hierarquia. Dotá-lo de um poder mágico pode ser um engano. Um clima muito tenso não é o melhor para as circunstâncias.

A Aeronáutica sozinha não é a solução. Ela é parte do problema.

As companhias aéreas, a Anac e a Infraero falharam. Não havia nada programado para atender aos passageiros, apesar das duras lições de fim de ano. Um colapso de informação e assistência.
Precisamos de um plano com datas, dinheiro e roteiro definido.

Precisamos de um responsável, que articule todos os setores envolvidos. Quando um sistema dessa importância entra em crise e você se desespera, nessas noites sombrias do Congresso, onde buscar alento?

Olhando para fora. Para o mundo que não deixará o Brasil caminhar para a insensatez de ser rebaixado no ranking internacional. Pilotos, Iata, companhias estrangeiras já se movem para pressionar o pais. E, já no ano que vem, virão os monitores da Icao, a entidade que avalia esses sistemas.

A queda no turismo e a proximidade do Pan são fatores que nos obrigam a considerar o problema também como de imagem internacional do país.

Com os ventos que vêm de fora, é possível impulsionar o movimento, que já existe na internet, buscando uma definição nacional. Se todos nos movermos, nas nossas áreas, o próprio governo será convencido que está diante de uma grande crise.

Aquelas 18 mil pessoas paradas nos aeroportos, a mulher que não pôde enterrar o marido assassinado em Rondônia, o paciente que esperava os materiais cirúrgicos numa operação de emergência, o homem que morreu em Curitiba, os que ficaram retidos nos aeroportos do mundo -tudo pede uma resposta à altura.

Uma resposta à altura tem de ser articulada, transparente e verificável na sua realização cotidiana. Caso contrário, poderemos ter saudade do tempo em que a única saída eram os aeroportos.

Continuo apostando que sairemos dessa, como já saímos de outras mais complicadas.

Leia: http://www.gabeira.com.br/blog/blog.asp?id=3555

2149 comentário 07/4/2007, 12:04 apagaoaereo.com.br

Tudo tão normal

Do jornalista Clóvis Rossi, na Folha de S. Paulo:

Os aeroportos voltaram à normalidade. Normalidade à brasileira, claro: na quinta-feira, 134 vôos atrasaram e 37 foram cancelados, o que dá 12,5% dos 1.366 programados.

O motim dos controladores virou o bode na sala. Paralisou todos os vôos em parte do fim de semana passado. Retirado o bode da paralisação total, aceita-se como “normal” que haja problemas em mais de 10% das operações.

É assim o Brasil. A anomalia passa a ser normal.

Leia: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0704200703.htm

4 comentário 07/4/2007, 12:01 apagaoaereo.com.br

Infraero registra atrasos em 4,8% dos vôos programados no país

Da Folha Online:

A Infraero –estatal que administra os aeroportos do país– registrou atrasos de mais de uma hora em 73 dos 1.528 vôos programados para pousar ou decolar entre a 0h e as 20h desta sexta-feira de feriado prolongado da Páscoa.

O índice representa 4,8% do volume de vôos. No total, foram 124 vôos cancelados –8,1%.

O aeroporto mais afetado foi Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo), com 7,6% dos 158 vôos atrasados e 10% cancelados. O segundo mais atingido foi o de Brasília, com 8% dos 88 pousos e decolagens com atraso de mais de uma hora.

Leia: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u133807.shtml

5 comentário 07/4/2007, 1:45 apagaoaereo.com.br


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