Oposição diz que já obteve assinaturas para criar CPI

13/4/2007, 12:35

Três dias depois de ter anunciado a intenção de instalar uma CPI do Apagão Aéreo no Senado, a oposição ao governo Lula anunciou ontem já ter conseguido juntar as 27 assinaturas necessárias para pedir a criação da comissão.

O requerimento só deve ser protocolado na próxima quarta-feira. Segundo o líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino (RN), a idéia é conseguir o respaldo de pelo menos 35 senadores, já que é possível retirar assinaturas depois que o requerimento é protocolado. Entre os senadores que já haviam assinado o pedido de CPI estavam, segundo Agripino, quatro integrantes de legendas governistas, entre eles Pedro Simon (PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF).

A idéia para criar uma CPI no Senado surgiu depois que, em uma manobra liderada pelo PT, o plenário da Câmara dos Deputados arquivou no mês passado o requerimento que criava a CPI naquela Casa. A oposição recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) e, hoje, a criação da comissão na Câmara depende de um parecer do plenário do Supremo. Diante da demora da decisão, os senadores deram início à articulação.

A possibilidade de a CPI no Senado se concretizar desagrada as legendas governistas. Se for criada na Câmara, a CPI terá em sua composição 16 governistas e apenas sete integrantes de partidos da oposição. No Senado, a correlação de forças seria mais apertada, e a oposição pode ter mais facilidade em aprovar quebras de sigilo e convocação de autoridades.

Articulação do governo
Nos bastidores, deputados governistas admitem terem cometido um erro político na questão da CPI. Avaliam que serão derrotados no STF e, por isso, a briga na Câmara terá sido inútil. Por isso, chegaram a cogitar inclusive se antecipar ao STF, criando a CPI na Câmara, na tentativa de evitar que as investigações tenham início também no Senado.

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) afirmou que foi abordado na tarde de ontem no plenário pelo líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE), para discutir uma “agenda comum” na Câmara, incluindo a CPI do Apagão. “Ele disse “vamos conversar sobre a CPI’”, afirmou Aleluia, acrescentando: “O Senado foi responsável pela articulação do governo. Não há dúvidas”.
Múcio, no entanto, negou ontem à Folha ter feito qualquer proposta de acordo à oposição em relação à CPI. “Esta CPI vai ser decidida pelo STF”, afirmou. Líderes tucanos também negaram terem sido procurados para qualquer acordo.

“Se na segunda-feira eles resolverem criar a CPI, sem nenhuma contrapartida nossa, melhor. Mas não imagino que isso vá acontecer, porque eles teriam de ter um pretexto para mudar de posição em 180 graus”, afirmou o deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), líder do PSDB na Câmara.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que anteontem promoveu um jantar para Lula em sua casa, voltou a dizer ontem que é politicamente contra a instalação da CPI, mas que cumprirá o regimento. Também afirmou esperar que o requerimento não seja apresentado, para que “prevaleça o bom senso”.

Seção: Notícias

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